Score de crédito: entenda como a pontuação é calculada

Poucos indicadores exercem tanta influência sobre a sua vida financeira. Entenda os critérios

Poucos indicadores exercem tanta influência sobre a vida financeira dos brasileiros quanto o score de crédito. Consultado por bancos, financeiras e varejistas, o score é fundamental para a aprovação de um empréstimo, para as condições oferecidas em um financiamento ou até mesmo para a definição do limite do cartão de crédito.

Entender os critérios e os algoritmos da pontuação nunca foi muito fácil. E ficou ainda mais desafiador nos últimos tempos, à medida que bancos digitais começaram a exibir suas próprias avaliações.

Além disso, a inteligência artificial (IA) passou a ser usada nas análises de risco e o Open Finance ampliou o acesso das instituições ao histórico financeiro dos consumidores. Isso mexeu na maneira como o score de crédito é calculado.

Se quiser entender o que é o score de crédito, e sobre como ele é calculado, este artigo é para você.

Entenda como funciona o score de crédito

O score de crédito é uma pontuação que resume o seu comportamento financeiro ao longo do tempo, calculado por empresas como Serasa, SPC Brasil e Boa Vista – também chamadas birôs de crédito.

O score de crédito é calculado com base em dados como pagamentos em dia, dívidas em aberto e tempo de relacionamento com o mercado de crédito. A escala vai de 0 a 1.000.

De forma geral, a classificação funciona assim:

  • 0 a 300 pontos: alto risco de inadimplência
  • 301 a 500 pontos: risco médio-alto
  • 501 a 700 pontos: risco médio
  • 701 a 900 pontos: bom pagador
  • 901 a 1.000 pontos: excelente histórico de crédito

Se o seu score está abaixo de 500, a prioridade seria chegar à faixa dos 501 a 600 em três a seis meses. Essa é a “linha divisória” que abre a maioria das portas do crédito tradicional no Brasil.

O que o algoritmo do score de crédito analisa

A metodologia dos birôs não é divulgada em detalhes, mas a Serasa atualizou seus critérios em 2025. Os pilares principais são:

  1. Histórico de pagamentos. É o fator de maior peso. O algoritmo analisa se você paga contas até o vencimento, com que frequência isso acontece e quais tipos de conta estão no seu histórico (água, luz, telefone, cartão, financiamentos). Importante: os pagamentos dos últimos seis meses pesam mais do que os de dois anos atrás.
  2. Dívidas em aberto ou negativações. Ter o nome negativado derruba o score de forma rápida e expressiva. A regularização de dívidas é o caminho mais direto para recuperar pontos.
  3. Cadastro Positivo. Desde 2019, todos os brasileiros estão automaticamente inscritos no Cadastro Positivo (a menos que tenham solicitado saída). Ele registra não apenas as dívidas, mas também os pagamentos realizados no prazo — o que beneficia quem tem um bom histórico financeiro. Um mito comum é que sair do Cadastro Positivo melhora o score. Na prática, quase sempre acontece o contrário.
  4. Tempo de relacionamento com crédito. Contas mais antigas e com histórico limpo contribuem positivamente. Fechar um cartão de crédito antigo, por outro lado, pode reduzir sua pontuação.
  5. Consultas recentes ao seu CPF. Quando você pede crédito e a instituição consulta seu CPF no birô, isso fica registrado. Muitas consultas em pouco tempo podem indicar “necessidade urgente de crédito” e reduzir levemente a pontuação. Mas atenção: você pode consultar seu próprio score quantas vezes quiser, sem nenhum impacto.
  6. Perfil e diversidade de crédito. Ter diferentes tipos de crédito no histórico (cartão, financiamento, empréstimo) de forma responsável pode contribuir positivamente para a nota.

Bancos digitais: score de crédito próprio

Uma das mudanças mais relevantes dos últimos tempos é que os bancos passaram a mostrar ao cliente a pontuação interna que usam para tomar decisões.

Mas aqui está o que causa certa confusão: o score do banco e o score do birô são coisas diferentes.

Enquanto os birôs analisam o comportamento do consumidor no mercado como um todo – todas as empresas com as quais ele tem relacionamento –, o score interno dos bancos mede o risco específico daquele cliente para aquela instituição.

O resultado prático é que a nota pode ser mais alta em um banco onde você movimenta conta e paga tudo em dia, e mais baixa em outro onde quase não tem vínculo. Há instituições que usam mais de 2 mil variáveis no cálculo, combinando dados do uso da plataforma, informações compartilhadas via Open Finance e dados de birôs externos.

Em suma, a lição é: quem aprende bons hábitos em uma instituição tende a levá-los para todas as outras.

Open Finance: seu histórico vai onde você for

Outro elemento que está transformando o score de crédito no Brasil é o Open Finance, sistema que permite ao consumidor compartilhar seus dados financeiros entre diferentes instituições.

Na prática, isso significa que um banco que você nunca frequentou pode, mediante sua autorização, acessar seu histórico de pagamentos em outros bancos para avaliar seu pedido de crédito.

Para quem tem um bom histórico concentrado em poucas instituições, isso pode ser uma vantagem considerável: o seu comportamento financeiro passa a falar por você em qualquer lugar.

O Open Finance também alimenta os modelos de IA que os bancos usam para calcular o risco. Quanto mais dados disponíveis, mais precisa tende a ser a análise – o que pode ser bom para quem tem histórico positivo e desafiador para quem ainda está construindo o seu.

Score baixo com Selic alta: uma combinação que complica

O contexto macroeconômico importa. Em 2026, quando este artigo era escrito, a taxa Selic estava acima de 14%. Isso faz com que o custo do crédito no Brasil esteja entre os mais elevados do mundo.

Nesse cenário, a diferença entre ter um score alto ou baixo se torna ainda mais impactante no bolso.

Para ilustrar: quem tem score excelente pode conseguir um crédito com garantia de imóvel com taxas a partir de 1% ao mês. Já quem recorre ao cartão de crédito rotativo — produto acessível a praticamente qualquer pessoa, independente do score — pode pagar juros que ultrapassam 15% ao mês. A diferença entre as duas situações pode chegar a dez vezes no custo total do crédito.

Como melhorar o seu score de crédito – de verdade

Não existe fórmula mágica, mas há um método. O score é dinâmico e reage a mudanças no comportamento financeiro, especialmente nos últimos seis meses. Algumas práticas incluem:

  1. Regularize dívidas em aberto. É o passo mais urgente para quem está negativado. A regularização não apaga o histórico de imediato, mas interrompe o impacto negativo e inicia o processo de recuperação.
  2. Pague as contas antes do vencimento. Parece óbvio, mas o efeito composto de meses pagando tudo no prazo é o que mais move o ponteiro.
  3. Mantenha seu cadastro atualizado nos birôs. Dados desatualizados podem prejudicar sua pontuação sem que você perceba. Muitos birôs de crédito oferecem consulta gratuita e atualização cadastral.
  4. Use o Open Finance a seu favor. Ao autorizar o compartilhamento de dados com novas instituições, você permite que seu histórico positivo seja considerado mesmo onde ainda não tem relacionamento.
  5. Não feche contas antigas sem necessidade. O tempo de relacionamento conta. Uma conta com histórico limpo de vários anos contribui para a pontuação mesmo que você a use pouco.
  6. Evite pedir muito crédito ao mesmo tempo. Cada consulta ao CPF fica registrada. Concentrar pedidos em um curto período pode gerar uma percepção de risco elevado.
  7. Cuidado com o que viraliza nas redes sociais. Dicas como “sair do Cadastro Positivo melhora o score” ou “pagar à vista sempre prejudica o score” são mitos que circulam com frequência e podem levar a decisões erradas.

Score de crédito não é tudo

Uma ressalva importante, que os próprios especialistas do mercado reforçam: o score é uma consequência, não um objetivo. Correr atrás de pontos sem organizar a vida financeira de forma estruturada não resolve o problema.

O que realmente importa é construir uma relação saudável com o dinheiro. Pague compromissos no prazo. Evite endividamento desnecessário. Planeje antes de contratar crédito.

Um score de crédito alto vem como resultado desse processo, não como ponto de partida.

E quando ele chega em boas condições, as portas que abre são concretas: financiamento imobiliário com parcelas menores, empréstimo com garantia de imóvel a taxas muito inferiores às do mercado, cartões com limites adequados à sua realidade.

No Brasil, um país onde o crédito ainda é caro para a maioria, o score pode fazer uma diferença real no seu orçamento.

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